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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

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A lágrima solitária

27.05.19 | Inês Aroso

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Não era uma tarde igual às outras. Primeiro, uma lágrima escorregou-me pela face. Foi-se juntar a ela outra lágrima, que escorregou pela outra face.

A lágrima não sabe ser sozinha. Eu também não. Sinto-me sozinha desde que a nuvem negra me cobriu. Há quem não goste de me ver assim, há quem não tenha paciência para me aturar assim, há quem eu não deixo que me veja assim… Algumas pessoas afastaram-se. Afinal, se eu mesma me afasto de mim, quem sou eu para censurá-los?

Como é que tudo começou? Foi a vida? Foi o destino? É algo genético? Inicialmente, culpei o trabalho e a minha incapacidade de lidar com a maldade alheia. Depois, comecei a pensar noutras coisas. Nas boas e nas más. As boas memórias fazem-me sentir nostálgica e choro. As más memórias entristecem-me e choro. Quanto sinto força, escrevo.

Umas vezes desisto. Outras vezes insisto. Penso em quem amo. Persisto. Tenho que ir à luta. Tenho que ser feliz. As coisas começam a ficar mais claras quando apenas uma palavra brota da minha alma: mudança! Preciso mudar de trabalho, de casa, das pessoas que não me querem bem.

Estou cansada de chorar, lágrimas visíveis e invisíveis. Preciso que alguém me abrace e diga: vai ficar tudo bem! Até lá, continuo só, sozinha, solitária, como cada cada lágrima que caiu naquela tarde. Não tenho medo de chorar, já tive. Agora, temo deixar de sonhar.

2 comentários

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    Inês Aroso

    12.06.19

    Existe uma versão semelhante:
    A Fábula dos Dois Lobos (dos índios Cherokee)
    Certo dia, um jovem índio cherokee chegou perto de seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu buscar os sábios conselhos daquele ancião.

    O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse:

    “Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”

    O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:

    “Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira reta.”

    “Mas o outro lobo… Este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de raiva. Ele briga com todos, o tempo todo, sem nenhum motivo. Sua raiva e ódio são muito grandes, e por isso ele não mede as consequências de seus atos. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito.”

    O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?”

    Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.”
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