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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

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A máquina (capítulo I)

17.03.20 | Inês Aroso

O perigo de parar era maior do que se pensava. Os cálculos da medicina e da matemática não previram tudo. Não consultaram filósofos. E estes, ai estes, teriam alertado para o grande final.

Não havia grandes erros nos números de doentes e mortos, nem no cenário de crise económica sem precedentes. Mas a dúvida filosófica que se alastrara de meia dúzia para vários milhares não entrara nas contas.

Antes da grande paragem, eram poucos aqueles que questionavam a rotina. Não eram, eles mesmos, mecanismos de uma engrenagem em constante funcionamento? Mas tiveram que parar. E começaram a ver as coisas do lado de fora.

Perceberam a máquina. Viram que os encaixes não eram perfeitos. Que lhes doía aqui e ali. Que alguns elementos da máquina eram totalmente inúteis. Que outras peças eram vitais. Que a máquina podia ser mais simples. Por fim, viram que a máquina não era uma máquina. Era a vida deles.

A revolução começou. A ela se juntaram-se artistas, cientistas, médicos, poetas, crianças, velhos e loucos. Não houve guerra, mas também não houve flores. Houve amor.

(continua)

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