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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

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Lembras-te da última vez que saíste à noite?

04.04.19 | Inês Aroso

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Noutro dia, encontrei-me com a Isabel para tomarmos um café e perguntei-lhe: “Lembras-te da última vez que saíste à noite?” Ela hesitou um pouco, mas respondeu-me: “Ah, foi no sábado passado…”. “Que sorte”, pensei eu, com vergonha de confessar há quantos meses, ou melhor, anos, não saía para ir jantar fora, ver um filme, dançar, encontrar-me com amigos.

 

De repente, a Isabel, que percebeu o meu embaraço, começou a rir-se às gargalhadas: “Achas que tenho tempo para sair à noite? Saí no sábado passado para ir buscar o Tiago a um jantar em casa de uns amigos… Eu saio à noite, mas como motorista, para ir levar e buscar os meus filhos adolescentes às festas”.

 

Suspirei de alívio e confessei-lhe: “Ah, afinal não sou a única, também tenho que ir levar a Leonor aos jantares de aniversário, sim, porque agora, nestas idades, já não fazem as festas de tarde… No fundo, são essas as minhas grandes saídas noturnas”.
“Aviso-te já que isto tem tendência a piorar… o mais velho, o Rui, já tem 17 anos, vou busca-lo à discoteca, 2 ou 3 da manhã, cheia de sono… “, alertou Isabel, enquanto vagueava com os dedos pelo longo cabelo castanho, sempre impecável.

 

Conversamos mais um bocado, sobre as férias que gostaríamos de tirar, sobre o encontro que tínhamos que marcar, a saída que deveríamos fazer. Mais tarde, a caminho de casa, pensei nisso, no quão bom seria que pudéssemos sair descansados, de vez, em quando, com as amigas, com os maridos, com os namorados, ou até com a vizinha do lado, com a certeza que os miúdos graúdos ficavam bem.


Dou por mim a ter vontade de ser outra vez esta adolescente (ser mãe de adolescente tem destas coisas paradoxais). Sofremos bastante, temos as hormonas aos saltos, não percebemos o estúpido mundo dos adultos que só pensam no trabalho e nas contas, nas regras, nas obrigações. Era tão bom poder sair à noite, divertir-me, esquecer-me de todos os aborrecimentos do dia-a-dia e saber que no final, poderia chegar a casa e tudo estava no lugar.

Texto originalmente publicado na: MagNext da Next 2 You.

 

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