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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

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O super-poder de Angélica

08.06.19 | Inês Aroso

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Angélica acreditava nas pessoas. Duarte acreditava em factos. No dia em que se conheceram, Angélica acreditou que Duarte era um bom homem. Duarte acreditou que Angélica era gorda. Apesar desse facto, Duarte resolveu namorar com Angélica. Era um facto que precisava de uma namorada. Angélica apaixonou-se e pensou que o sentimento era mútuo.

Passaram 2 ou 3 anos até Duarte pedi-la em casamento. Era um facto que precisava casar. Angélica ficou feliz com o pedido de casamento e acreditou que iria viver um amor para sempre.

Duarte disse que deviam ter um filho. Era um facto que queria deixar descendência. E foi assim que, muito nova, Angélica, deu à luz um menino, a quem chamou Luís.

Duarte nunca mudou. Angélica quase que não mudava. Até que o filho de ambos, com apenas 7 anos, disse à mãe: "Mãe, porque é que deixas que o pai te chama gorda? Na escola aprendi que isso era feio... E tu também me ensinaste isso... Ele devia ir para o castigo". Angélica ficou atónita com a maturidade e simplicidade das palavras que acabara de ouvir da boca sincera de uma criança: o próprio filho. Respondeu-lhe que ele tinha toda a razão. Nessa mesma noite, pensou em todas as vezes que tinha sido humilhada, inferiorizada e insultada por Duarte. Era tremendamente infeliz e conformara-se com isso. No dia seguinte, pediu-lhe o divórcio. Ele barafustou e ela falou na liguagem dele: "Contra factos não há argumentos".

Apesar do desgosto e da ferida que demorou a curar, Angélica não deixou de acreditar nas pessoas. Isso não era uma fraqueza. Era uma atitude corajosa. Mas uma coisa mudou: passou a acreditar nela mesma em primeiro lugar. Hoje, é feliz!

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