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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

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Quando o amor é um carro de corrida em rua de paralelos

14.04.19 | Inês Aroso

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Noutro dia, a Helena perguntava-nos numa rede social: "O que é o amor incondicional?". A resposta mais comum foi: "É o amor entre mães/ pais e filhos". Eu também dei essa resposta.

 

Em todos os outros tipos de amor, sejam amigos, irmãos, namorados, maridos, mulheres, companheiros, primos, tios, sobrinhos, o que for, queremos reciprocidade, caso contrário, esse amor murcha ou fica tingido. Tal e qual como me acontece, às vezes (mais do que deveria), com a roupa na máquina de lavar, quando misturo cores ou ponho a temperatura muito alta.

 

No entanto, vamos sempre (eu e outras pessoas como eu) continuar a cuidar e admirar mais algumas pessoas do que elas a nós. Nem sempre esse amor, amizade, carinho (o que queiram chamar) é recíproco. No meu caso, isto não me impede de continuar a gostar de quem genuinamente gosto e não deixarei nunca de gostar delas. Por causa disso, uns chamam-me coração mole, outros boazinha ou até ingénua... Só para falar nos adjetivos mais suaves e simpáticos.

 

A questão é que há corações que pouco percebem de sinais de trânsito. Nós, que conduzimos a vida com o coração, quando gostamos verdadeiramente de alguém, perdoamos vezes sem conta as infracções: os limites de velocidade, os sentidos proibidos, os semáforos e até deixamos, às vezes, que quase nos atropelem. Podemos perder muitos pontos na carta de condução da vida, mas só sabemos conduzir assim: com o próprio coração, embriagado de excesso de amor pelos outros.

 

É preciso muito para deixar-mo-nos de dar aos outros. Mas quando estes põem em causa a nossa felicidade, temos que nunca mais passar por essa rua. Ou então passar de outra forma. Dentro dos limites. Sem quebrar regras. Sem deixar que passem por cima de nós.

 

Garanto-vos, dói-nos muito. Mais do que a eles. Para nós, perceber que alguém que, um dia, consideramos que gostava de nós na mesma medida, afinal tem-nos em pouca conta, é perder um pedacinho do coração. 

 

Mas a vida segue. E o amor-próprio sara a ferida. Tal como os verdadeiros amigos. Esses, que estarão sempre lá para nós. E o coração reconstrói-se. E continuará a achar-se um carro de corrida pelas ruas de paralelos desta vida.

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