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Inês Aroso - Escritora

Sempre sonhei ser escritora... Aqui, sou!

Inês Aroso - Escritora

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Todos os nomes do amor

02.05.19 | Inês Aroso

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- "Avó, conta-me histórias de amor", pediu-lhe Sofia, de 15 anos, enquanto viam os barcos no cais, sentadas no banco, encostadas uma à outra, com carinho.

- "Está bem, Sofia, mas quando o veleiro partir, vamos para casa... Ora bem, vou começar...

Isaac apaixonou-se por Ellah assim que a viu, quando chegou à Universidade, em Paris, para um programa de intercâmbio de estudantes. Os amores à distância são difíceis, mas o deles superou as barreiras espaciais, culturais, linguísticas e do senso comum. Passados 3 anos, casaram-se, em Espanha, onde ainda hoje moram, são felizes e pais do pequeno Diego.

Filipe casou-se com Isabel, foi traído por ela, mas mesmo assim, continuou a amá-la. Não sabia viver sem ela. Até que conheceu Lara e desistiu de viver um amor assimétrico. Os amores desnivelados acabam sempre por fazer alguém cair no chão ou ter vertigens. É mau para o que ama de mais. É ainda pior para o que ama de menos.

Helena teve um único grande amor na vida: Rafael. Física e psicologicamente. Não conhecera outro homem. Não sentira vontade sequer de descobrir outras formas de amar e ser amada. A vida dela era a vida dele, quase que de modo simbiótico. Era uma relação turbulenta, mas indissolúvel.

Luísa e Teresa viviam apaixonadamente. Eram tão diferentes que ninguém apostaria no amor que as unia. Luísa, gostaria de se chamar Luís. Tinha uma aparência andrógina, olhos pretos, pele muito morena, cabelo curto, roupas masculinas. Era muito confiante e sem medo da opinião alheia. A Teresa tinha cabelos ruivos, compridos, e vestia-se como se vivesse nos anos 60, muito hippie. A magia era essa: a sensibilidade de Teresa e a segurança de Luísa complementavam-nas.

Inês... Olha, a Inês tinha uma história de amor tão complicada que vou ter que contar noutro dia".

O vento mudara. Era tempo do veleiro içar as velas e zarpar. O que era muito conveniente para a avó, que partiu com a neta para casa, mas deixava os nomes do amor no banco, a ver o rio... E o rio corria, como a vida. Que vivera. Que gostara de ter vivido. Que conhecera. Que gostara de ter conhecido.

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